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Lamarão: promessa de climatização vira alvo de críticas após alunos passarem mal em escola municipal

Um manifesto divulgado neste domingo (12) por uma professora da rede municipal de Lamarão, na região sisaleira, expôs a situação crítica enfrentada por alunos e profissionais da educação em uma escola do município. O relato da professora Lidiane Costa aponta episódios de mal-estar em sala de aula, calor intenso e falta de condições mínimas para o ensino.
Segundo a docente, o caso mais recente ocorreu na última sexta-feira (10), por volta das 10h50, durante uma aula do 8º ano no Colégio Municipal Virgílio Nunes de Medeiros. Três alunos passaram mal em razão da alta temperatura e da ausência de ventilação adequada. Uma das estudantes, inclusive, precisou sentar no chão por não conseguir permanecer na atividade.
A professora afirma que precisou interromper a aula para prestar assistência aos alunos e relata que episódios como esse têm se tornado frequentes. “Essa não é uma situação isolada. É recorrente. Está se tornando rotina”, destaca.
O problema, segundo apurou a reportagem do cleristonsilva.com, está diretamente relacionado à reforma parcial realizada na unidade, feita com a promessa de instalação de aparelhos de ar-condicionado. No entanto, de acordo com o manifesto, a intervenção se limitou, na prática, à instalação de forro e pintura. Com isso, as salas teriam se tornado ainda mais quentes, já que o forro contribuiu para aumentar a sensação térmica em ambientes já sem ventilação adequada.
Além disso, a professora aponta a ausência de ventiladores, estrutura adequada para docentes e até mesmo banheiros apropriados. “As salas permanecem fechadas, sem ventilação, transformando-se em ambientes insalubres”, relata.
Relatos de mães de alunos enviados à reportagem reforçam a denúncia e criticam a falta de planejamento na promessa de climatização. Segundo elas, em salas onde os equipamentos começaram a ser instalados, técnicos identificaram que a estrutura elétrica é inadequada e não suporta a sobrecarga.
As famílias também afirmam que os aparelhos adquiridos não têm capacidade suficiente para climatizar salas de aproximadamente 50 metros quadrados, com média de 30 alunos cada.
No documento, a educadora cobra transparência da gestão municipal e levanta questionamentos sobre o investimento na obra, o projeto original da reforma parcial e a ausência de itens considerados básicos. Ela também afirma que, caso não haja providências, a comunidade escolar poderá se mobilizar. “Não podemos aceitar que alunos passem mal dentro da escola”, diz.
A crise na infraestrutura escolar ocorre em meio a outro dado preocupante. Lamarão, administrado pela prefeita Pró Ninha (PT), registrou o pior índice de alfabetização da região sisaleira e o 5º pior do estado, segundo dados do Ministério da Educação (MEC) e do Inep. Apenas 32% dos alunos do 2º ano conseguem ler e escrever textos simples, abaixo da meta federal.
A Prefeitura de Lamarão ainda não se manifestou sobre as denúncias.
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